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Observando os cães sob um ângulo diferente

Data: 22/11/2012

Cães possuidores de longas pernas, e pouca profundidade de peito dispõem de uma menor área na escápula para a conexão dos músculos. Uma perna longa e pouco firme, com os músculos do ombro um tanto soltos resultará num movimento de andadura bamboleante.

Um animal de pernas curtas, como o Basset, possui uma grande área para os ligamentos dos músculos em comparação com o restante do membro abaixo da linha do peito, resultando a quase inexistência de bamboleio.

Para determinar quais são os cães de pêlo curto que podem ser classificados de pernaltas, procurei estabelecer medidas de comprimento de peito e perna através de fotografias publicadas em revistas especializadas. Para poder ter uma base de comparação, também fui colher parâmetros em fotos de animais selvagens.

O comprimento da perna abaixo do peito foi dividido pelo da profundidade do peito. Se o comprimento do membro abaixo da linha inferior do peito for igual à profundidade do peito, o fator será um (1) como se pode verificar na tabela, com respeito ao Pastor Alemão.

As pernas da girafa tem um comprimento um e três quartos mais longo do que sua profundidade de peito, e assim o fator será 1.75. O lobo e o dingo apresentam um segmento de perna abaixo do peito igual à profundidade do peito, e seu fator é 1. O Dachshund tem pernas 1/3 da profundidade do peito e seu fator é 0,30.

De todos os cães medidos, o mais pernalta foi o Italian Greyhound, seguido de perto pelo Whippet e pelo Saluki. A grande surpresa foi o Beagle. O seu Padrão de raça determina que suas pernas tenha bastante osso em proporção ao tamanho do cão. Uma vez que os ossos da perna mais pesados geneticamente são acompanhados pela característica de um corpo mais pesado, os criadores tem procurado selecionar a criação no sentido de oterem corpos mais pesados com a consequente profundidade de peito. As pernas são cerca de 20% mais curtas que a profundidade de peito. Como os Beagles caçam pelo faro e são acompanhados pelo homem a pé, a perda de velocidade causada pela curta proporção das pernas não constitui problema. Os cães não podem seguir uma pista a grande velocidade e por seu lado, um homem a pé não poderia desenvolver alta velocidade.

Sempre que um padrão de Raça reque um corpo curto e pernas longas (um cão “quadrado”) e uma pronunciada angulação do trem traseiro ocorrem sempre grandes problemas. Pernas longas com grande angulação convida a longas passadas, o que faz com que as patas dianteiras e traseiras se interfiram entre si ou se choquem. E neste caso normalmente provocam ferimentos. Revendo meus filmes em que focalizo o trote de cães de pernas longas e corpo curto (quadrados) constatei ser o Basenji a raça que menos apresenta este problema. As razões eram claras: em primeiro lugar o Basenji possui uma angulação moderada, como a angulação de um cavalo. Diz o Padrão: “Traseiros... devem ser fortes e bem musculados, com bons jarretes, nem voltados para dentro nem para fora, e pernas longas”. Não se faz menção da angulação. A angulação moderada que se observa na raça permite uma boa coordenação entre os membros dianteiros e os traseiros. Faço votos de que os criadores de Basenji não espesem a idéia de que se um pouco de angulação é bom, muito mais é melhor. Segundo lugar, os handlers de Basenji não correm com seus cães pela pistas de exposição como o fazem os handlers de Pastores Alemães. O trote mais lento propicia passadas mais curtas e uma boa coordenação das pernas.

Não é surpreendente que os cães que caçam utilizando sua acuidade visual tenham pernas longas. Membros compridos estão sempre associados com velocidade. Com exceção do Afgham Hound, tais cães possuem corpos compridos o que tende a reduzir o entrechoque de patas. O Greyhound e o Whippet trotam bastante eficientemente com uma espécie de trote puladinho. O Afghan Hound, segundo o Padrão, é um cão “quadrado” com boa angulação de joelhos e jarretes” e “pés amplos e de bom comprimento”. Tal estrutura não é a ideal para trotes, já que se torna alta a possibilidade potencial de bamboleio do trem dianteiro e do entrechoque de patas. De forma alguma queremos sugerir que seja errada a estrutura do Afgham Hound, mas que pode significar que o trabalho a que se propõe o Afghan Hound, conflitaria com uma estrutura ideal para o trote. Cães de corpo curto e pernas longas e muita angulação são ideais para galopar montanha acima em um país de topografia acidentada como o Afeganistão. O hábito dos handlers de Afgham de apresentar seus cães num trote quase à beira do galope provavelmente foi desencadeado com o propósito de ocultar faltas do trem dianteiro. A grandes velocidades, o gingar do trem dianteiro torna-se menos observável e a própria velocidade dificulta o juiz de perceber a falta.

Muitos cães são pernaltas, e não é incomum observarem-se essas faltas. Objetivando desenvolver melhores cães para o trote, vários Padrões (especialmente cães de trabalho) pedem que o corpo seja um pouquinho mais longo do que a altura do cão com estas palavras: “ocomprimento do corpo do cão a partir da CERNELHA até a base da cauda deve ser aproximadamente igual à altura da cernelha ao chão”. Ou seja: tais cães não são, na realidade, “quadrados”.

Por: Curtis M. Brown
Revista Atualidades Caninas
CÃES DE FATO / JULHO / AGOSTO 2004 nº 36

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