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O movimento do Bulldog

O movimento do Bulldog por Peter Frantzen – Criador Espanhol – Dos Águas

“Por isso as pontas dos jarretes ou curvilhões fazem com que se aproximem mutuamente, e os pés traseiros se viram para fora.”No entanto, em todas as traduções do padrão que vi até hoje, se substituem as “pontas dos jarretes” só por “jarretes” , esta confusão pode ser causada pela falta de diferença vocabular – no idioma inglês – entre os jarretes e suas pontas. No entanto, parece que até hoje ninguém reparou no fato de que um cachorro que tivesse os jarretes muito próximos não poderia andar...

As contradições incompreendidas para o exame e depois cada um julga o que bem entender, se esquecendo que esta descrição é, sem a menor sombra de dúvida, uma das mais importantes, já que explica parte do movimento tão característico da raça. Pela posição dos pés traseiros, virados para fora, a impulsão do movimento das patas se direciona ao centro das posteriores. Se se observa durante os movimentos demasiada desenvoltura, a ponto de impedir o balanceio do trem posterior, há sérios indícios de deformações ou displasia.

Da mesma forma que os pés traseiros os dianteiros também estão voltados para fora, porém esta tendência não deve ser muito acentuada. Frequentemente se vê que o expositor tenta posicionar os pés totalmente retos. Esta posição é tão falsa quanto os momentos que o juiz não vê que os pés se viram excessivamente para fora. Deve-se observar neste contexto que o desvio dos pés dianteiros para fora deve ser sempre menos acentuada que a dos pés traseiros.

A cauda é de implantação baixa, gira apontando para abaixo e nunca sobressai da parte traseira. Parece simples e fácil de entender, mas tenho visto ultimamente o aumento de exemplares com a cauda implantada alta, inclusive alguns com a cauda elevada para cima, e também – mesmo que em menor quantidade – alguns com a cauda sobressaindo da parte traseira.

As deficiências com relação à cauda não são das mais importantes, porém representa uma falta. A cauda do padrão é cônica, curta e reta, com uma dobra para baixo. Na verdade essa cauda se encontra – a do padrão – numa minoria dos casos. A cauda redonda e dobrada, também chamada de “estrela” é a mais habitual e sem dúvida aceita, apesar de não ser a mencionada no padrão; sua presença não deve provocar no juízo nenhum tipo de punição, no entanto é preferível a outra.

Voltando ao capítulo dos movimentos, que é o mais problemático, porque é o quesito onde existe mais barbaridades. O movimento e sua valorização são de fundamental importância, desde que o árbitro seja consciente de que não está julgando nesse momento Pastores Alemães.

O movimento correto é o característico do bulldog, incorporado a sua constituição e anatomia. Qualquer tentativa do árbitro de utilizar aqui critérios que têm sido aplicados a outras raças o conduzirá a valorizações erradas e injustas. Porém, a saída desta difícil questão não deve ser, não julgar os movimentos de forma alguma ou excluir a avaliação deste quesito da valorização geral do cão, coisa que lamentavelmente acontece com muita frequência na Inglaterra.

Sem dúvida o fato de deixar do cão dar umas voltas pelo ringue, com toda a classe, antes de começar a examiná-los, não facilita de forma alguma os juízos. Os movimentos devem ser valorizados pelo árbitro que entende da raça ao final do exame individual de cada exemplar. Para realizar este exame é suficiente pedir um percurso em triângulo e um em reta com virada. Estas figuras o cachorro deve caminhá-las e não com lentidão, como habitualmente se vê nos ringues. O ideal é sem dúvida, que o cachorro ande com vontade. Os cachorros que o apresentador deve conduzir pelo ringue tem deficiências de movimento, ao menos naquele dia, e esse dia que o árbitro esta avaliando e valorizando. Também não é compreensível quando o árbitro pede ao expositor que frei os movimentos corretos de seu cachorro, para andar mais lento, porque o padrão pede passos curtos e rápidos. O outro extremo também é freqüente, quando o árbitro demora uma enorme quantidade de tempo no exame dos movimentos e depois isto não se reflete na valorização da classificação geral.

Nos casos que o árbitro, depois de exames individuais, ainda tem dúvidas de quem possui os melhores movimentos de dois exemplares, ele pode pedir que eles repitam de forma conjunta e em paralelo uma reta de ida e volta. As voltas em círculos, com toda a classe não fazem mais que fadigar os cachorros. Isto não impede que no exame de aptidão de criação, os clubes exijam testes de movimento por tempo e em grupos. Mas, esta aptidão não se julga em exposições.

Ainda persiste a pergunta: Quando o movimento é ideal ? Este ideal se cumpre quando o movimento das patas dianteiras se produz totalmente reto em paralelo, deixando toda a largura do peito ao centro e puxando os pés por diante, de maneira que quase não se dobrem as articulações dos metacarpos nem do cotovelo. Este movimento parece estar desaparecendo nos últimos tempos, isto acontece, obviamente, devido à falta de atenção dispensada pelos árbitro a este aspecto tão importante.

O que se vê atualmente nos ringues são movimentos muito fechados nos quais se aproximam os pés dianteiros durante o movimento, se perdendo desta forma o espaço criado pelo peito. Lamentavelmente os árbitro parecem penalizar este fato só quando os pés se tocam ou se cruzam. Este pode ser um critério válido para outras raças, porém no bulldog, a deficiência começa quando o espaço livre entre as patas dianteiras não forma um retângulo da largura correspondente à profundidade do peito entre as patas na hora do movimento.

Outro problema que pode se observar é um desvio para fora, numa das patas dianteiras, com forma de meio círculo na hora de caminhar, isto produz a impressão de que o cachorro tenta remar. Sem dúvida trata-se de uma deficiência de movimento, mesmo sendo muito mais leve que o andar fechado. Tenho visto esta deficiência tanto na Espanha quanto na Inglaterra e percebi que os árbitros britânicos não avaliam de forma muito negativa este desvio.

Finalmente devemos mencionar os chamados “sobre-tipos” ou “hiper-tipos”. O padrão (nas suas especificações) é bastante claro e qualquer exageração de suas normas que ultrapassem as tolerâncias estabelecidas considera-se deficiência grave. Mais uma vez, não existe melhor exemplo do que Inglaterra. Existia há um tempo atras, naquele país, uma classe de supercampeão com uma pequena deficiência na largura da mandíbula inferior que ganhou tudo! esse exemplar era apresentado pelos árbitros como o ideal de bulldog em potencial. Lamentavelmente essa deficiência se herdava e com tendência a aumentar. A situação chegou a tal ponto que hoje é difícil achar um pedigree no qual não apareça este cachorro, ainda que só a partir da terceira geração. Isto fez que atualmente, na Inglaterra, a luta pela mandíbula mais larga seja um dos principais objetivos dos criadores. Em vista desta situação se deve exigir que os árbitros não se deixem impressionar por um sobre-tipo, já que neste caso também poderia julgar o espectador como um simples aficionado que esta no outro lado do ringue. Extremamente lamentável é o comentário de um árbitro que diz: “Este cachorro é o padrão, mas o outro me impressiona”.

Tolerâncias são aceitas em pontos nos quais o padrão é muito rígido, a mais importante é a questão do peso. Neste ponto, segundo um acordo implícito, se aceita um aumento de até cinco quilos acima do padrão (25,5 quilos). Pode-se dizer que um bulldog de 40 quilos – e se vê alguns – não é apto para criação, ainda que sua aparência seja muito proporcionada e harmônica.

Uma cabeça cheia de rugas é também muito impressionante para o espectador que desconhece a raça, mas pode causar muito dano na criação. É neste ponto que começa a responsabilidade do árbitro. Se estes cachorros não estão nos primeiros lugares nos pódios, inclusive o menos experiente dos criadores entende o recado, e ainda que estas decisões possam não coincidir com as do público, a maioria das vezes pouco conhecedor da raça, não devemos pensar que este seja um fato trágico, muito pelo contrário, será benéfico para raça.

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